Amália Rodrigues, a eterna saudade

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Passaram já dezasseis anos da morte da fadista Amália Rodrigues, a voz que levou Portugal aos quatro cantos do mundo. Cantadeira, fadista e atriz, Amália da Piedade Rodrigues foi uma das mais brilhantes e conceituadas cantoras portuguesas do século passado.

Nasceu na freguesia da Pena em Lisboa,  a 23 de julho de 1920, embora sempre tenha celebrado o seu aniversário no dia 1 de julho. E foi em Lisboa que viveu a sua infância e juventude. Começou a trabalhar muito cedo, ainda criança, como aliás era comum na época, para ajudar no orçamento familiar. Trabalhou em costura, em bordados, e, até, foi operária numa fábrica de doces.

 A sua apetência e gosto por cantar valeu-lhe um solo nos Santos Populares de 1935, com o “Fado de Alcântara”, acompanhando a Marcha Popular do seu bairro.

Em 1940 casou com Francisco da Cruz, um guitarrista amador, mas o casamento não foi muito feliz e o divórcio ocorre em 1949. Doze anos mais tarde, Amália volta a casar, desta vez no Brasil, com César Rangel, com quem vive até 1997, data do falecimento deste.

Amália Rodrigues a cantar num programa da RTP

Amália Rodrigues, arquivos da RTP

A carreira artística

No início da sua carreira utiliza o nome de Amália Rebordão e só mais tarde adota o nome artístico de Amália Rodrigues. Faz a sua estreia profissional em 1939, no Retiro da Severa, passando também pelo Solar da Alegria, Café Mondego e Café Luso. Rapidamente de tornou cabeça de cartaz, auferindo valores de cachet nunca antes vistos no mundo do fado.

Durante toda a década de 40 faz atuações mais ou menos regulares em várias casas de espetáculo e a partir década de 50 dá-se a internacionalização da sua carreira.

Curiosamente, o seu primeiro espetáculo a solo em Portugal realizou-se apenas em abril de 1985, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, ocorrendo a segunda edição, no Coliseu do Porto, nesse mesmo mês.

A sua voz chegou aos cinco continentes

Durante a sua longa carreira, Amália Rodrigues atuou em inúmeros países espalhados pelos cinco continentes – Espanha, França, Bélgica, Itália, Grécia, Suíça, URSS, Argélia, Israel, India, Macau, Japão, Coreia, Brasil, EUA, México, entre tantos outros – tornando-se uma embaixadora da língua portuguesa, por excelência.

Capa de disco The Soul of Fado

Amália Rodrigues, The soul of fado

A par da sua carreira musical, Amália passou também pelo teatro, em 1955,na reposição da peça “Severa”. Já na sétima arte participou em filmes como “Capas Negras”, “Fado, História de uma Cantadeira”, “Ronda dos Bairros”,  “Ai! Lisboa”, “Vendaval Maravilhoso”, “Les Amants du Tage”, “April in Portugal”, “Sangue Toureiro”, “As Ilhas Encantadas” e “Via Macao”, entre tantos outros.

Em 1962 Amália lançou o seu primeiro disco, com composições de Alain Oulman (Lisboa, 1928 – Paris, 1990). O seu interesse pela poesia, dá origem a prolongadas colaborações com poetas conhecidos, como Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, José Régio, Manuel Alegre e José Carlos Ary dos Santos.

A poesia na vida de Amália

Amália foi também autora de muitos dos poemas que interpretou nos seus fados. Em 1997 esses textos foram publicados no livro “Versos”, da editora Cotovia. Entre estes podem encontrar-se os poemas  “Estranha forma de vida”, “Lágrima”, “Asa de vento”, “Grito”, “Trago o Fado nos sentidos”,  “Teus olhos são duas fontes”.

Esta diva, que tão bem soube expressar pelo mundo fora, através da sua voz e da sua música, esse sentimento que tanto caracteriza o povo português,  a saudade, faleceu no dia 6 de outubro de 1999.

Os seus restos mortais encontram-se agora no Panteão Nacional (na Sala dos Escritores, agora Sala da Língua Portuguesa), junto a outros grandes vultos da História portuguesa.

Retrato da fadista Amália Rodrigues

A eterna Amália Rodrigues

Através de testamento, a fadista criou a Fundação Amália Rodrigues em dezembro de 1999. Esta fundação organiza anualmente uma gala onde atribui vários prémios relacionados com o Fado. Entre estes, os prémios Carreira, Revelação e Intérprete Feminina e Masculina, Música Étnica, Guitarra Portuguesa, Compositor de Fado e Fado Amador.

Amália Rodrigues será para sempre recordada por todo o seu talento e pela forma como sempre representou o povo português.

Retrato da fadista Amália Rodrigues num espetáculo, com o seu característico agradecimento ao público

A inesquecível Amália Rodrigues

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