Handmaid’s Tale, quando o inimaginável se torna a realidade

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Editado em 1983, o livro de Margaret Atwood (1939 – ), “The Handmaid’s Tale”, chegou este ano à televisão. Vencedora do Emmy de melhor série dramática, “Handmaid’s Tale” conta a história de uma sociedade num futuro não muito longínquo, em que os homens detentores de poder têm autorização legal para violar mulheres, com vista ao aumento da natalidade. E nada é mais assustador do que o inimaginável tornado realidade.

A história, atualizada com várias referências à administração de Donald Trump, até porque a trama é passada na nova nação Gilead,  antigos Estados Unidos da América, gira em torno de uma recém criada sociedade, absolutamente teocrática e repressiva. Nesta nova nação,  as mulheres encontram-se completamente subjugadas, sem quaisquer direitos e totalmente relegadas para o seu papel reprodutivo.

Estes cidadãos vivem num mundo cercado pela religião, completamente obcecados pela necessidade de reprodução, o que é, desde logo, demonstrado ao telespectador através das saudações que usam – “Abençoado seja o fruto”.  O mundo enfrenta um grave problema de fertilidade e, mesmo conseguindo alcançar uma gravidez, nem sempre chega ao fim.

Vivem-se tempos de desesperança em que as mulheres são obrigadas a esquecer as suas vidas anteriores, abandonando até os nomes pelos quais eram anteriormente conhecidas, e passam a viver as suas novas vidas num estado de dormência, oscilando entre a resignação e a confusão.Nesta sociedade, as mulheres encontram-se divididas por estratos sociais e, dentro destas castas, com perfis completamente submissos ao homem, apresentam-se na sua simplicidade e castidade de forma tão homogénea, que até se vestem de igual forma e da mesma cor.

Mais importante ainda, as mulheres são divididas entre as que são inférteis e as que são férteis, sendo que estas últimas, as handmaids,  que se vestem de vermelho, passam a ser propriedade de um casal. Estas mulheres são coagidas a engravidar,  para que casais poderosos possam ter os seus filhos.

Muitas vezes a infertilidade não está só relacionada com a mulher e também pode ter origem no homem o que impede a procriação. Nesses casos, as handmaids acabam por ser culpabilizadas e castigadas por essa situação e, por isso, procuram alternativas para que ocorra a fertilização.
No ritual de fecundação, que ocorre uma vez por mês no período fértil da handmaid, esta deita-se na cama do casal, com a cabeça entre as pernas da esposa, e o homem fecunda-a. O contacto físico é circunscrito ao mínimo necessário para que se dê a fecundação.
Assim que uma criança nasce, esta é retirada à mãe e entregue à esposa, sendo que a handmaid apenas a verá para a alimentar. Findo esse período de aleitação, a handmaid é colocada noutra casa para voltar a reproduzir-se.
Uma história desafiadora e violenta, que choca e envolve o telespectador desde o primeiro momento, obrigando-o a colocar-se em situações de homossexualidade, aborto, ou outras que sejam consideradas ofensas (como as mulheres lerem ou escreverem) por aquele regime repressivo, que interpreta as escrituras sagradas de uma forma cega e conveniente aos seus interesses.
Sendo uma história passada num futuro já aqui ao lado, obriga as pessoas a questionarem os temas de liberdade e autonomia da mulher, na sua vertente física e financeira, algo que, na atualidade, em pleno século XXI, não está em prática em todas as nações do mundo.

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