Pena de morte: exemplos cruéis da criatividade humana

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A pena de morte existe desde o início dos tempos, resultando de um constante apelo à criatividade e à crueldade humana.

Na Antiguidade, lembramos os exemplos que nos chegaram da Grécia antiga, como a execução de Sócrates por envenenamento. O Egipto é também uma referência, onde uma mentira em tribunal podia custar a vida do acusado e da sua família.

Na Idade Média, encontramos ainda mais exemplos, até porque a Idade das Trevas foi profícua em perseguições e execuções.

Na Idade Moderna, e, apesar de todos os renovados pensamentos renascentistas, centrados no homem e não em Deus, as penas de morte foram ainda uma constante generalizada.

E, na Idade Contemporânea, período que começa com a Revolução Francesa e se estende até aos nossos dias, bem, não podemos ainda dizer que a pena de morte esteja erradicada.

Nos dias de hoje, e apesar da maioria dos países democráticos terem já abolido a pena de morte, alguns ainda recorrem a esta forma irreversível de punição em situações tidas como extremas, como é o caso do terrorismo.

De seguida, apresentamos uma lista de alguns dos métodos de execução mais cruéis, utilizados ao longo da história da humanidade:

Águia de Sangue

Desenho do método de execução Águia de Sangue

A Águia de Sangue foi uma prática de tortura e de execução usada na antiguidade e ligada à mitologia escandinava, e revestia-se de uma crueldade atroz! Esta técnica de punição era, normalmente, aplicada aos condenados,como uma forma de eles poderem ter uma morte honrada.

Faziam-se dois cortes laterais nas suas costas da pessoa, expondo assim a sua coluna vertebral e as costelas. Depois, separavam-se as costelas da coluna, partindo-as uma a uma, e expondo-as, e, no fim, retiravam-lhes também os pulmões para fora.

Todo este cenário  fazia lembrar uma águia, e daí, o nome. O macabro procedimento decorria com a vítima viva e, preferencialmente, consciente. No fim, sal era esfregado nos ferimentos, provocando ainda mais dor.

Crucificação

Pintura a óleo do pintor Jacopo Robusti, mais conhecido por Tintoretto, datada de 1565

Crucifixion, Tintoretto [Jacopo Robusti] (1518-1594), ca.1565

A Crucificação foi um método de execução que, quer queiramos, quer não, está intrinsecamente ligado ao Cristianismo, embora tivesse tido origem no povo persa, no período entre 539 e 533 a. C.

Era um castigo aplicado a crimes de subversão na política, crimes violentos e à rebelião de escravos.

Todo o ritual de sofrimento começava com obrigar o condenado a carregar a pesada barra horizontal da cruz, que depois suportaria o seu peso, até ao local da execução, onde era pregado violentamente pelos pulsos e pés. O condenado ficaria a sofrer  e, depois de horas de exaustão, acabaria por morrer por paragem cardiorrespiratória.

Surpreendentemente, a crucificação ainda é um método de execução utilizado em algumas partes do mundo.

Touro de Bronze

Périlo, o criador do Touro de Cobre forçado a entrar na sua criação

Périlo a ser forçado a entrar na sua própria criação

Criado por volta do século VI a.C. em Atenas, o primeiro touro de bronze foi oferecido ao tirano Agrigento, um soberano particularmente cruel. Era chamado de touro de bronze por ser uma efígie do animal feita em bronze.

O seu interior era oco e grande o suficiente para reter um homem. A forma de funcionamento era bastante grotesca: a vítima era colocada no seu interior e a porta de entrada selada, o touro era então transportado para uma fogueira. A temperatura ia aumentando, cozinhando a vítima até à morte.

Na cabeça do touro existiam tubos e umas válvulas que amplificavam o som do seu interior, permitindo que as pessoas em volta pudessem ouvir os gritos de desespero da vítima.
Conta a lenda que o criador desta máquina terrível, Périlo, terá sido também a sua primeira vítima.

Escafismo

Desenho com dois barcos unidos, criando um interior oco. No interior está uma pessoa, apenas com cabeça, braços e pernas de fora

Desenho que recria a forma como o escafismo era executado (Autor Rob Dyke)

Criado na Pérsia, o escafismo (ou suplício dos barcos) era uma forma de execução bastante tortuosa.
A vítima era despida e presa à parte interior de uma pequena barcaça. Por cima era colocada uma outra barcaça, da mesma dimensão, e as duas eram unidas, ficando apenas a cabeça, os braços e os pés de fora.

Era então obrigada a beber quantidades enormes de mel e leite. O seu corpo era barrado com mel para atrair insetos e as barcaças eram depois deixadas num lago de águas paradas.

Com o passar dos dias, a acumulação de fezes dentro das barcaças atraía ainda mais insetos. Estes iam devorando a carne exposta da vítima, que ia lentamente apodrecendo.

A ingestão de mel e leite era reforçada todos os dias para prolongar a tortura.
Ao fim de alguns dias a combinação entre desidratação, fome e choque séptico, levaria à morte.

Esfolamento

Pintura de Gerard David que demonstra a prática do esfolamento

Pintura de Gerard David que demonstra a prática do esfolamento

Esta prática era usual na Assíria e também na China, durante a Dinastia Ming.
Como o próprio nome indica, consistia na remoção da pele da vítima. Este método era semelhante ao utilizado nos animais e era tanto usado para tortura, como para execução.

A vítima era deitada, amarrada e a sua pele era cuidadosamente removida. Os pedaços de pele eram então colocados num local público para que todos pudessem ver.

A morte poderia demorar algumas horas ,ou até alguns dias, e era provocada pela perda de sangue, choque circulatório e infeção.

Enforcamento composto

Pintura que demonstra a morte por enforcamento completo. Estando uma pessoa enforcada a ser esventrada pelo carrasco.

Pintura que demonstra a morte por enforcamento completo

Esta era uma prática muito frequente em Inglaterra, como punição do crime de traição.

Particularmente violento, o enforcamento composto era constituído por três fases.
A primeira consistia em amarrar a vítima a uma armação de madeira, que depois era arrastada por um cavalo até ao local da execução. A fase seguinte era o enforcamento propriamente dito. Assim que a vítima estivesse moribunda, era retirada da forca e colocada numa mesa. Chegando assim à terceira e última fase deste ritual, a vítima era esventrada e os seus órgãos retirados e queimados à sua frente.

Após a morte, o corpo era esquartejado em cinco partes. O objetivo era enviar estas partes  para diferentes locais, onde ficariam à vista de todos, como forma de aviso.

Esta punição era apenas aplicada a homens. As mulheres consideradas traidoras eram condenadas a arder na fogueira.

Fogueira

Pintura de Grigoriy Myasoyedov onde se pode ver uma execução pelo fogo

Pintura de Grigoriy Myasoyedov onde se pode ver uma execução pelo fogo

Talvez uma das formas de execução mais populares durante a época medieval. Joana d’Arc foi uma das famosas vítimas deste método de execução.

As fogueiras eram ateadas em locais públicos para que a multidão pudesse assistir à execução.

Se mais do que um condenado fosse executado ao mesmo tempo, a fogueira seria naturalmente maior e, provavelmente, a morte ocorreria por inalação de monóxido de carbono antes que as chamas propriamente ditas queimassem o corpo. Mas se a fogueira fosse pequena, as causas mais prováveis da morte seriam choque, ataque cardíaco ou até mesmo perda de sangue.

Morte por Mil Cortes

Desenho que ilustra a morte pelo método dos mil cortes

Ilustração da morte pelo método dos mil cortes

Originário da China, este era um método de tortura e execução particularmente lento e penoso.

A vítima era amarrada a uma armação em madeira, de preferência num local público. De seguida partes do seu corpo eram cortadas com uma faca. Primeiro as partes mais carnudas eram cortadas e depois as articulações, os dedos e as orelhas, um por um. De seguida os membros, cortados pelos pulsos e tornozelos, depois iam subindo até o corpo estar desmembrado. Por fim, o coração da vítima era esfaqueado e a sua cabeça cortada.

Esta forma de execução estava reservada para crimes considerados muito graves, como parricídio ou traição, e foi banida em 1905.

Estes são alguns exemplos das execuções dolorosas e atrozes, inventadas pelo homem para punir os mais variados crimes, sem qualquer clemência e empatia pelo outro ser humano.

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