O rapaz a quem chamaram Adam…

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Com a ponte de Londres como cenário de fundo, no dia 21 de setembro de 2001 um torso de uma pequena criança do sexo masculino,brutalmente mutilado, surge a boiar no rio Tamisa. Segundo as perícias, o corpo estaria na água há já dez dias, quando foi encontrado. Sem nenhuma pista para o identificar, a polícia chamou-lhe Adam.

Representação do torso da criança encontrado em 2001 no rio Tamisa, perto da Ponte da Torre. Fonte e crédito da imagem: BBC News

As perícias criminais

O corpo, que envergava apenas uns calções laranja, não tinha cabeça, braços e pernas e estava completamente esvaído de sangue. O exame ao corpo ajudou a determinar que teria sido cortado por um talhante ou por um profissional ligado a essa área que, com um único golpe, forte e preciso, havia dissecado todos os membros. A análise do conteúdo estomacal inferiu que a criança havia ingerido comida de origem alemã na véspera da sua morte.

Uma das teorias

Depois de um ano de investigação, uma das teorias da polícia era que o crime poderia estar relacionado com um sacrifício humano e com rituais de imigrantes nigerianos.
Todas as evidências forenses indiciavam também que a criança seria oriunda de Benin, na Nigéria, e que teria vindo para Londres já com esse fim planeado.

Um único suspeito

Um ano passado sobre a macabra descoberta, e as suspeitas recairam sobre um contrabandista, de nome  Kingsley Ojo. Numa busca domiciliária feita ao seu apartamento, a polícia encontrou um saco com uma mistura de ossos, areia e uns vestígios de uma substância dourada, também detetada no estômago da vítima. No apartamento também foi encontrada uma cassete de vídeo com a indicação “rituals” [rituais], que continha imagens de um desmembramento ritual de uma vítima. Contudo, e apesar do peso das provas encontradas, a polícia não conseguiu encontrar uma ligação entre a vítima, Adam, e Ojo, que foi assim condenado a apenas quatro anos e meio de prisão, por tráfico humano, e depois deportado para a Nigéria.

Doze anos depois…

A criança foi finalmente identificada em 2013, como Patrick Erhabor, através do testemunho de Joyce Osagiede, uma mulher nigeriana que viveu na Alemanha e, mais tarde, em Inglaterra (em 2002). Osagiede afirmou ter cuidado de Patrick enquanto este esteve na Alemanha e antes de ter sido traficado para Inglaterra, talvez pelas mãos de Ojo (embora não existam provas que o evidenciem). A mulher contou também que o apelido da mãe de Patrick seria Oghogho.
Inicialmente a polícia ainda desconfiou da participação de Osagiede no homicídio, mas a falta de provas e questões relacionadas com a sua saúde mental impediram uma qualquer acusação e, a mulher, foi deportada para a Nigéria.
Durante todos este anos Osagiede, que tem problemas psicológicos e se encontra medicada, tem prestado diferentes testemunhos às autoridades, bem como tem relacionado a criança com diferentes identidades.

As pessoas envolvidas neste crime bizarro e brutal de uma criança continuam por identificar.
Acredita-se que o ritual de sacrifício humano foi posto em prática para trazer boa sorte.

O jornal BBC News, dedicou uma extensa investigação a este assunto: http://www.bbc.com/news/uk-21365961

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