Rituais de morte: a crucificação

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Quando ouvimos falar neste método de execução – a crucificação – o que recordamos imediatamente é a história do cristianismo. Mas, na realidade, a morte por crucificação foi criada pelo povo persa, no período entre 539 e 533 a. C. Contudo, foram os romanos que tornaram esta forma de punição mais conhecida, utilizando-a para castigar a rebeldia de escravos, bem como para punir perpetradores de crimes violentos. Esta pena também se aplicava a crimes de subversão na política, no sentido de se precaveram atitudes revolucionárias. Muitas das crucificações em massa que ocorreram nesse período da história, deveram-se à necessidade de controlar rebeliões.

A crucificação e a arte

Tríptico da crucificação de Jesus Cristo, autor Francesco Granacci, ca. 1510

Tríptico A Crucificação, Francesco Granacci, ca. 1510, Metropolitan Museum of Art, EUA

Como a crucificação está intimamente ligada ao percurso histórico do cristianismo, está também profusamente documentada na literatura, bem como amplamente ilustrada em pinturas, desenhos, vitrais e trabalhos escultóricos. Este facto permitiu que o método fosse também extensamente estudado e investigado, se bem que, amiúde, transportado para o plano do imaginário religioso.

A execução

Tratava-se de um método de execução muito violento e doloroso. Não só os condenados eram torturados antes da crucificação, como podiam demorar até três dias até finalmente morrerem.

A execução por crucificação começava antes mesmo de pregarem o condenado na cruz. A guarda romana começava por torturar o condenado e obrigá-lo a carregar, até ao local do cumprimento da pena, a barra de madeira horizontal da cruz. Chegados ao local, a parte vertical já se encontrava cravada no chão. Mantendo os braços abertos, o condenado era violentamente pregado na madeira pelos seus pulsos e pés e ficava assim, até morrer.
Esta era uma morte muito violenta, com uma enorme carga dramática. A população deslocava-se ao local do suplício para assistir a todo o espetáculo. O condenado ficaria a sofrer  e, depois de horas de exaustão, acabaria por morrer por paragem cardiorrespiratória.

Curiosamente, as pessoas crucificadas não eram posteriormente enterradas. Os seus corpos eram deixados no local, em exposição pública, acabando por ser comidos por animais. E isso acontecia com o propósito concreto de servir de exemplo para as restantes pessoas, que eram assim obrigadas a assistir à cena macabra. Jesus Cristo, no entanto, terá sido uma exceção a essa regra, tendo sido sepultado por intervenção de José de Arimateia, um judeu de posses, seu seguidor.

A pena de morte por crucificação foi abolida no século IV, pelo imperador romano Constantino Magno (272-337).
Hoje em dia, é ainda uma pena utilizada em alguns países, como, por exemplo, no Sudão.

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